• Leura Dalla Riva

A INFLUÊNCIA DE EPICURO PARA MARX

A “concepção materialista da natureza” de Marx – como foi chamada por Engels – decorre, primeiramente, da influência do filósofo grego antigo Epicuro sobre seu pensamento, já que, além de implicar a expulsão do poder divino e princípios teleológicos da natureza, “a filosofia epicurista da natureza tinha como ponto de partida o ‘princípio de conservação’, e, portanto, a tendência a uma visão de mundo ecológica” (FOSTER, 2005, p. 51-62, 93).


Como salientou Epicuro, os seres humanos não estão apenas cercados pela natureza, pois são capazes de alterar sua relação com ela através das invenções. Por isso, Marx insistiu que a solução para alienação dos seres humanos em relação à natureza seria descoberta apenas na história prática humana (FOSTER, 2005, p. 110)


Além do materialismo de Epicuro, britânicos e franceses tiveram importante influência na construção da concepção materialista de natureza e de história de Marx, pois foram pensadores como Helvétius e Holbach que levaram o materialismo para o terreno do social, ocasionando, através da luta histórica, à ascensão do materialismo mais radical do comunismo e socialismo: “Se um homem extrai todo o seu conhecimento, percepção etc. do mundo dos sentidos e das experiências ali obtidas, então o que é preciso fazer é arrumar o mundo empírico de tal modo que o homem experimente e se acostume com o que é verdadeiramente humano ali ... Se o interesse entendido corretamente é o princípio de toda moralidade, o interesse privado do homem precisa ser levado a coincidir com o interesse da humanidade” (MARX; ENGELS apud FOSTER, 2005, p. 93)


É, aliás, através de Epicuro e de Lucrécio que surge o embrião da análise evolucionária, que mais tarde apareceria na teoria darwinista, que notadamente influenciou a visão ecológica de Marx acerca da relação entre o homem e a natureza, já que Darwin adotara em “A Origem das Espécies” uma posição de natureza inequivocamente materialista (FOSTER, 2005, p. 51-62).


A visão ecológica de Marx, ademais, além de materialista, também é dialética, pois: Ao contrário de uma visão do mundo natural vitalista, espiritualista, que tende a ver o mundo em conformidade com algum propósito teleológico, um materialista vê a evolução como um processo aberto de história natural, governado pela contingência, mas aberto à explicação racional [...] Uma abordagem dialética nos força a reconhecer que os organismos em geral não se adaptam simplesmente ao seu meio ambiente, mas afetam o meio ambiente de várias maneiras e, afetando-o, modifica. A relação é, pois, recíproca (FOSTER, 2005, p. 31-32).


FOSTER, John Bellamy. A Ecologia de Marx: materialismo e natureza. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2005.

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