• Leura Dalla Riva

DARWIN E MARX: como o naturalista inspirou Marx na análise da ruptura metabólica

A teoria darwinista influenciou a visão ecológica de Marx acerca da relação entre o homem e a natureza. Isso porque, segundo Foster (2005, p. 51-62), Darwin adotara em “A Origem das Espécies” uma posição de natureza inequivocamente materialista.


Marx acreditava que a teoria darwinista oferecia uma perspectiva materialista compatível que poderia servir de base histórico-natural a seu pensamento, embora aplicada a um outro conjunto de fenômenos (FOSTER, 2005, p 275-279).


Marx relacionou a teoria de Darwin com sua análise acerca do desenvolvimento da história humana através das mudanças na produção e na tecnologia, diferenciando então a chamada tecnologia natural da tecnologia humana.


Enquanto Darwin teria focalizado na história da tecnologia natural (entenda-se a formação dos órgãos das plantas e animais, que servem de instrumentos de produção para sustentar a vida), Marx focalizou a história dos órgãos produtivos do homem na sociedade, “órgãos que são a base material de toda organização particular da sociedade”, criados pelos próprios humanos, de modo que “revela a ativa relação do homem com a natureza, o processo direto da produção da sua vida” (MARX apud FOSTER, 2005, p. 278-281).


Darwin forneceu, portanto, uma base histórico-natural à teoria geral de Marx sobre o papel do trabalho no desenvolvimento da sociedade humana, pois “desde o princípio o segredo, não só do desenvolvimento da sociedade humana, mas também da ‘transição do macaco para o homem’, estava no trabalho” (FOSTER, 2005, p. 284).


Além disso, a partir dessa base darwinista, Marx definiu o processo de trabalho e a relação humana com a natureza como uma interação metabólica em termos materialistas e evolucionários.



FOSTER, John Bellamy. A Ecologia de Marx: materialismo e natureza. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2005.

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