• Clarissa de Souza Guerra

Soberania alimentar: o que é e onde está?

A alimentação é elemento indispensável à sobrevivência humana, considerada como um direito fundamental. Além disso, expressa uma das formas de relação entre os seres humanos e o meio ambiente, pois é a partir da agricultura e do uso dos recursos naturais que são gerados os produtos que garantem a subsistência das espécies vivas.


Entretanto, o capitalismo, que é o sistema econômico, político e social dominante, transformou tal relação em um vínculo exploratório, isto é, a falha metabólica (FOSTER, 2005), movido pela busca incessante do lucro. Sob essa perspectiva, o alimento teve seu sentido original deturpado, tornando-se mercadoria.


Nesse contexto, a Soberania Alimentar, formalizada em 1996, pelo movimento da Via Campesina Internacional, pode ser entendida como um conceito multidimensional e enquanto um direito, que se caracteriza, substancialmente, como proposta contra-hegemônica, questionando o sistema do “alimento-mercadoria”. Trata-se de uma resposta dos movimentos sociais do campo às imposições do capitalismo, pautada, especialmente, na consideração da fome como uma questão social.


Portanto, a soberania alimentar está na capacidade dos povos de produzir seus próprios alimentos e ter conhecimento sobre esse modelo produtivo e, portanto, sua principal manifestação é a agricultura de base familiar e em pequena escala, voltada à subsistência e não, para o lucro, tal qual propõe o capitalismo.


Referências


FOSTER, John Bellamy. A Ecologia de Marx: materialismo e natureza. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2005.


VIA CAMPESINA. Disponível em: https://viacampesina.org/es/. Acesso em: 15 mar. 2020.

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